Necessidade de agricultura sustentável exige alternativas

A crescente preferência pela redução no uso de agrotóxicos nas lavouras brasileiras, aliado à necessidade de uma agricultura mais sustentável, vem exigindo cada vez mais alternativas biológicas para o controle dos nematoides. Os especialistas da área afirmam existir mais de 200 inimigos naturais destes parasitas, dentre eles fungos e bactérias, que podem ser usados no manejo integrado da praga.

Segundo o engenheiro agrônomo Henrique Teixeiras Nunes, o controle biológico apresenta uma série de vantagens em relação ao químico, pois não contamina e não desequilibra o meio ambiente, além de não deixar resíduos e ser mais barato. De acordo com artigo do especialista publicado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), o controle de nematoides por meio do uso de bactérias, principalmente as do gênero Bacillus, pode ser muito mais eficaz.

“Entre os principais inimigos naturais, as bactérias, notadamente as endofíticas, apresentam potencial para o controle de fitonematoides com redução de 40% na penetração e formação de galhas de Meloidogyne graminicola com inoculações de Bacillus megaterium nas raízes de arroz. Além disso, a colonização das raízes com esta bactéria diminuiu a migração do nematoide para a rizosfera em 60% e seus metabólitos reduziram em 60% a eclosão dos ovos”, explica.

No caso dos fungos, a engenheira agrônoma Marilene Aparecida da Costa publicou um estudo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) afirmando que eles são os principais microrganismos utilizados no controle biológico dos nematoides. Nesse cenário, ela indica que a pesquisa na área sugere uma grande vantagem dos fungos Purpureocillium lilacinum e Pochonia chlamydosporia sobre a praga.

“Normalmente, esses fungos são saprofíticos, logo, independem da presença de ovos de nematoides no solo para a sua sobrevivência, crescendo satisfatoriamente em matéria orgânica. Devido a essa característica, se estabelecem mais facilmente no solo, quando comparados com os fungos predadores”, comenta.

Os estudos em torno das alternativas biológicas recomendam o manejo integrado dos nematoides. “Na redução da densidade populacional desses fitopatógenos, algumas medidas são adotadas, como o controle químico, a rotação de culturas, o uso de variedades resistentes e o controle biológico”, conclui a especialista.